Beto Lima

O pintor, natural da cidade de Araioses, gosta de suas telas criadas na técnica óleo sobre telaespatulada. O uso da espátula foi fruto do aprendizado com a artista plástica mineira Maclaer, que morou em São Luís nos anos 80. Antes de pintar, Beto confeccionava molduras na loja de um tio, para artistas locais. Maclaer, na verdade, foi uma de suas clientes.

O pintor teve suas origens nas paisagens de solitárias praias, no interior do Maranhão, em Araioses. Foi buscar contato com a experiência cultural urbana em São Luís, onde chegou em 1978. Na capital maranhense, teve as primeiras relações com a vida artística.
           A mudança foi fundamental para seu desenvolvimento. Estabeleceu vínculos com o meio cultural das artes plásticas, em plena ebulição no fim da década de 1970, trabalhando em uma fábrica de molduras de telas. E os seus primeiros contatos com museus de arte, obras relevantes da história da arte, revistas e exposições importantes também ocorreram nessa época. Durante esse período, conviveu com os artistas Ambrósio Amorim, Jesus Santos, Rogério Martins, Marçal Ataíde, Marlene Barros, Fábio Vidotti, J. César e R.S Carvalho. Da convivência com eles, nasceu o interesse pelas artes plásticas. Mas, somente em 1994, aos 35 anos, começou a produzir telas, depois de montar sua própria casa de molduras. Desde suas mais remotas pinturas, já se projetavam as primeiras marcas de sua obra: a tinta espessa, vultosa, aplicada sobre a tela com uma espátula.

Ao passar uma temporada na Europa, mais precisamente na Itália, em meados de 2008, Beto conviveu com mestres daquele país que foi um dos berços da arte ocidental.  Divulgou seu trabalho em países como França, Espanha, Holanda e Suíça, onde é mais famoso e aproveitou para levar o Maranhão para Itália não só nas obras, mas em objetos como o pandeirão, a matraca entre outros,

Beto Lima começou a expor seus trabalhos em 2005 e, apesar do pouco tempo de exposição, já possui vários reconhecimentos no currículo, entre os quais, a Menção Honrosa no Prêmio de Artes Plásticas Márcia Sandes, em 2007, promovido pelo Ministério Público do Maranhão, e a premiação no Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís da Fundação Municipal de Cultura, em 2006.

As cores quentes continuam hegemônicas no trabalho de Beto Lima assim como os traços fragmentados, que posicionam a obra figurativa do artista próxima do universo abstrato. Beto Lima já realizou outras exposições em São Luis, além de ter sua obra apreciada em Salvador (BA) e no exterior. Seus primeiros trabalhos, elaborados em caráter experimental, misturavam a tinta acrílica à tinta de serigrafia, assim como é feito na técnica de colagem. Ele é responsável por todo processo artístico dos seus trabalhos, desde a montagem da tela até a criação e colocação da moldura, tornando o seu trabalho diferenciado e único. Outro destaque das obras de Lima são as artes produzidas com paisagens que retratam a beleza de pontos turísticos clássicos ao redor do mundo

Na crença permanente em sua verdade artística, o artista Beto Lima expõe uma inegável identificação com os princípios impressionistas e abstracionistas. Os traços fragmentados posicionam as figuras do artista próximas do universo abstrato. A mistura de cores, no entanto, o leva a erigir paisagens com uma leveza impressionista, mais resistente a contornos. Beto Lima conhece muito bem a temática de Travessia. Filho de pescador passava semanas em alto-mar e se encantava com as possibilidades da natureza, sua calmaria e fúria. “Esse tema fez parte da minha vida, talvez por isso esse encantamento. Pinto o que me chama a atenção, me sensibiliza e me completa como artista e admirador confesso da natureza”, explica Beto. 

Durante anos, o artista pintou inúmeras obras. De lá pra cá foram 40 mostras pelo mundo entre países europeus Suíça, Espanha e Itália. Neste último, esteve 2 vezes e fez 12 mostras. O povo italiano valoriza muito meu trabalho, prova disso são as boas vendas. Todas as obras que faço lá, as pessoas compram”, comemora.